Policiais lutam por unificação salarial

01-03-2011 09:57

 

             "Não consigo entender porque tem polícia rica e polícia pobre”, esse é o trecho do jingle tocado na tarde de ontem durante o protesto de policiais que querem aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 300. Pelo menos  mil pessoas, entre Bombeiros, Policiais Civis e Militares, além de representantes de associações e sindicatos da categoria, não apenas da Bahia, mas de outros estados estiveram presentes na manifestação, que seguiu do Campo Grande a Praça Castro Alves.

              O objetivo, segundo os organizadores, é chamar a atenção, não apenas dos políticos, mas de toda a sociedade em relação  a unificação do salário dos policiais de todo o País, por isso a manifestação vai acontecer em todas as cidades sede da Copa de 2014.

              Atualmente existe uma discrepância em relação aos salários de quem deve guardar as cidades e estados. O Distrito Federal é o local onde se melhor remunera os que cuidam da segurança, com R$ 9.600 para policiais civis e R$ 4.700 para os militares, ambos em início de carreira.

             Na Bahia, as remunerações variam entre R$ 1.894 para os civis e R$ 1.600 para os militares, ambos também em início de carreira. No Estado de Sergipe, muito menor do que a Bahia – em tamanho geográfico – os valores são de R$ 3.400 e R$ 3.200 respectivamente para as duas classes de policiais. A proposta da PEC define que o piso salarial dos policiais civis e militares e dos bombeiros será estabelecido por uma Lei Federal.

             Essa mesma lei vai criar um fundo para ajudar os estados a pagar os novos salários. Depois da segunda votação na Câmara dos Deputados, o projeto segue para o Congresso Nacional, onde vai ser promulgado.

             “A primeira votação da PEC foi de 349 votos a zero para a aprovação. Todas as polícias são só um corpo, por isso a unificação é necessária para todas as cidades do País”, disse o coordenador nacional da PEC 300, Wagner Pedro de Oliveira, que veio de São Paulo para acompanhar a manifestação.

             Conforme o presidente da Confederação Nacional de Trabalhadores Policiais Civis (Cobrapol), Jânio Gandra, a segurança pública deve ser revista em todo o Brasil. “A segurança pública ainda não está sendo tratada como deveria. Precisamos nos unir ainda mais”, argumentou.

             O que também foi ressaltado pelo presidente da Associação de Oficiais da PM Bahia major PM Edmilson. “Precisamos da unificação salarial. Não é justo por exemplo que a Bahia fique atrás de outros estados do nordeste como Sergipe”.

             “É difícil, mas vamos chegar lá. Até chegarmos a Brasília, última cidade da reivindicação, a caminhada é longa”, ressaltou o presidente da Associação de Praças Agnaldo Pinto. Acrescentou ainda que “as políticas de governo não investem na PM. Mas a polícia é uma só. É ainda importante trazer para a sociedade a responsabilidade que ela tem também em melhorar a condição salarial”

             O presidente do Sindicato dos Policiais Civis da Bahia (Sindopc), Carlos Lima, informou que, caso nada seja feito até a caminhada na Capital Federal, a proposta é parar as atividades. “Vamos parar a segurança do Brasil. Estamos levando a proposta para todas as caminhadas. É uma vergonha a proposta não ter sido votada ainda no segundo turno. Acredito que seja por falta de credibilidade da polícia”, destacou.

 

Fonte: https://www.tribunadabahia.com.br/news.php?idAtual=75159